Amélia Rodrigues

Santo Amaro, 1861 - Salvador, 1926

Amélia Augusta Rodrigues do Sacramento nasceu em 1861, em Santo Amaro (BA). Filha de pais sem grandes posses, estes lhes garantiram excelente formação, aprendendo latim, alemão, francês, ciências e matemática, sempre sob orientação religiosa. Aos dezenove anos foi aprovada em primeiro lugar em um concurso para a vaga de professora primária, motivo de orgulho em sua cidade, sendo o fato noticiado na imprensa local.

Aos 22 anos, Amélia Rodrigues publica seu primeiro livro de poesia, Filenila. Três anos depois, encena Fausta, que a coloca definitivamente no meio literário, um mundo composto basicamente por homens. Passa, então, a colaborar ativamente na imprensa baiana. Após a morte de seu pai, muda-se para Salvador, onde continua atuando como professora e escrevendo.

Com a difusão cada vez mais rápida dos ideais positivistas e o avanço das igrejas evangélicas em Salvador, funda a Liga da Senhoras Católicas, em 1909. No ano seguinte, sob sua supervisão, a Liga lança A Paladina, uma revista escrita só por mulheres, discutindo os mais variados temas sob a ótica feminista católica da época. Para defender a participação ativa das mulheres na sociedade, principalmente as pobres e negras, Amélia Rodrigues escrevia artigos e realizava palestras.

Ao se mudar para o Rio de Janeiro, trabalhando para editoras sob o controle da Igreja Católica, como a Gráfica dos irmãos Salesianos e a Editora Vozes, sua posição frente à luta feminista perde parte de sua força, adequando-se mais ao público e ao discurso da igreja. Ainda assim, nunca deixou de ser uma das maiores defensores dos direitos das mulheres.

A produção de Amélia Rodrigues foi prolífica: escreveu poesia e prosa, ficção e ensaios, biografias e crônicas, seja para crianças e jovens, seja para adultos, além das traduções. Morreu em Salvador, em 1926, aos 65 anos. Desde 1961, a escritora dá seu nome ao município emancipado de Santo Amaro da Purificação.