Alphonsus de Guimaraens
Contos e crônicas brasileiros - Século XX
Aproximadamente 167 páginas
ISBN: 978-65-01-51509-0
R$ 14,90
Mendigos é o único livro em prosa do poeta simbolista Alphonsus de Guimaraens impresso em vida (1920), uma coletânea de contos e crônicas publicados em jornais da época. Ao todo, o livro contém 15 contos, 28 crônicas e, encerrando a compilação, um poema. Os temas mais recorrentes nos contos são a morte, principalmente da pessoa amada, o amor, os amigos e as bebedeiras. As crônicas trazem um leque maior de assuntos, destacando-se religiosidade, história, política, doenças e medicina, da qual o autor era um severo crítico.
Em Mendigos, há um traço de humor presente na maioria dos textos, mesmo naqueles em que o tema abordado seja mais delicado ou que sugerisse maior seriedade. Como em “Elias”, primeiro conto do livro, onde um leproso firma parceria com um cego para receber mais esmolas. Ou em “Jacinto”, em que o principal espólio do personagem ao ter a morte decretada, as vestes com que recolhia esmolas para a igreja, vira objeto de contenda entre os companheiros de pileque.
Nos textos em que a morte é protagonista, a abordagem do autor se dá de diversas maneiras. Em “Death-Club”, um grupo de homens disputam no jogo quem ganha o direito de morrer; ou então, com um viés mais dramático, ao expor a dor e a tristeza de um coveiro após cavar a sepultura da própria filha em “Cavus”.
Alphonsus de Guimaraens era um homem bem informado e atento às novidades das artes, das ciências e da política, o que fica evidente nas crônicas aqui publicadas. Seus textos são carregados de citações, referências históricas e escritores, o que nos obrigou a realizar uma vasta pesquisas sobre personagens e fatos históricos mencionados. Exemplo disso são as divertidíssimas “Missal estranho”, sobre a vinda de um bispo português vindo ao Pará, e “Nos domínios da história”, sobre as estátuas falantes em Roma.
A religiosidade do autor fica marcante não só na quantidade de textos sobre o tema, mas principalmente por sua demonstração de fé. “S. Roque, o Miraculoso Confessor” e “Jubileu em Conceição do Serro” tratam especificamente do assunto, o primeiro sobre a vida do santo e, o outro, sobre as festividades e os romeiros em Mariana (MG). Em diversos contos e crônicas, a religião está presente como preceito ético ou histórico, com personagens sacros ou simplesmente fazendo parte do enredo de fatos e casos narrados.
Pese a linguagem nem sempre fácil devido ao rico vocabulário de Alphonsus de Guimaraens, há muitas palavras utilizadas pelo autor e por outros poetas simbolistas que não constam nos dicionários consultados, nem mesmo no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras. Parte delas são palavras estrangeiras aportuguesadas, como “patibularmente”, na crônica “Carnaval”. O conto “Cavaco linguístico” mostra bem como tal prática se dava, quando o narrador encontra com um conhecido filólogo e põe-se a valer de tal vocabulário.
Editar esse livro foi um prazer absoluto. Esperamos que o leitor se deleite com o humor e a espirituosidade de Alphonsus de Guimaraens.