Henrique de Vasconcelos 

São Filipe , 1875 - Lisboa, 1924

Nascido na Ilha do Fogo, Cabo Verde (com registros que alternam entre 10 de novembro de 1875 e o ano de 1876) e falecido em Lisboa em 1924, Henrique Vieira de Vasconcelos foi uma figura ativa da vida cultural e política portuguesa da transição do século XIX para o XX.

Ainda jovem mudou-se para Lisboa, assim como tantas outras famílias cabo-verdianas. Concluída a licenciatura em Direito pela Universidade de Coimbra em 1898, ingressou na magistratura e, mais tarde, na diplomacia. Com o advento da República em Portugal, teve papel ativo na política parlamentar, sendo eleito diversas vezes deputado pelo Partido Democrático. Atuou também na diplomacia portuguesa, participando na Conferência de Paz de Paris (1919–1920).

Na literatura, Henrique de Vasconcelos inscreveu o seu nome no panorama das letras lusófonas como um dos principais representantes do Decadentismo. Sua obra tem caráter universalista, totalmente centrada na cultura clássica europeia. O romance Missa Negra, assim como os contos de Flirts e as variadas colaborações na imprensa portuguesa, revelam um apuro estético focado nas temáticas do mistério, do erotismo e da inquietação existencial típica do fin de siècle.

Enquanto vivo, o autor manteve grande prestígio literário em Portugal, sendo citado com orgulho pelos conterrâneos cabo-verdianos. A ausência de referências à terra natal, fez com que o estudioso Manuel Ferreira, no ensaio “Literaturas africanas de expressão portuguesa”, questionasse sobre o futuro da obra de Henrique de Vasconcelos: “qual das histórias da literatura o irá recuperar? A portuguesa ou a cabo-verdiana?” Ousamos aqui responder a pergunta: a portuguesa.